Maracanã: de estrela na Copa de 2014 a alvo da operação Lava Jato

01:36 Geral, Notícias 14/06/2018 - 11h00 Rio de Janeiro Embed

Lígia Souto

Há quatro anos os olhos do mundo estavam voltados para o Brasil, anfitrião da Copa de 2014.  E no Rio de Janeiro, para o estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, reformado para a Copa das Confederações em 2013  e para figurar como a principal arena do Mundial recebendo também a grande final do campeonato.

 

O contrato inicial para as obras era de R$ 705 milhões, mas a reforma acabou custando aos cofres públicos mais de um R$ 1,2 bilhão.

 

No fim das contas, a grande estrela da Copa virou alvo de investigações da Lava Jato.

 

Segundo o Ministério Público Federal, houve irregularidades no processo de licitação, além de superfaturamento na execução, que resultaram na condenação de diversas pessoas, entre elas o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016.

 

O procurador regional da República José Augusto Vagos explica que a reforma do templo do futebol se tornou objeto de duas operações: a Saqueador, que apura a prática de lavagem de dinheiro, e a Calicute, que investiga crimes de corrupção, fraudes em licitação e formação de cartel.

 

Em meio aos escândalos, a administração do estádio também virou um impasse que está sendo discutido na Justiça.

 

Em 2013, o Consórcio Maracanã, formado por três empresas, com maior participação da Odebrecht, ganhou a licitação para gerir o complexo por 35 anos. Mas, sem a renda prevista pelo direito de explorar as áreas do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros, a concessionária tentou, sem sucesso, devolver o estádio ao governo do Rio e, mais tarde, repassar a concessão a uma empresa francesa. 

 

Inicialmente, o Julio Delamare e o Célio de Barros seriam demolidos para a construção de lojas, praças de alimentação e um estacionamento.  O Centro de Atletismo, após ficar fechado por cinco anos, será reinaugurado como espaço de lazer. Já o parque aquático que encerrou as atividades, em 2014, foi reaberto parcialmente em abril deste ano. 

 

Ainda assim, o nadador paralímpico Clodoaldo Silva acredita que o fechamento dos centros desportivos terá repercussões a longo prazo. 

 

Ainda durante as obras para a Copa do Mundo, o governo do Rio ordenou a desocupação do antigo Museu do Índio, que fica ao lado do estádio, desalojando um grupo de indígenas que vivia no local. O processo de remoção foi marcado por confrontos com a polícia. Atualmente, as 70 famílias retiradas do local vivem em um conjunto habitacional, mas cerca de 20 pessoas continuam nos arredores da antiga Aldeia Maracanã.

 

Cinco anos depois, o cacique Carlos Tukano ainda lembra, com tristeza, a forma como foi feita a ação de reintegração de posse.

 

No início do ano passado, após o abandono da estrutura levar a depredações, a Justiça considerou que o Consórcio Maracanã continuava responsável pela gestão e deveria cumprir o contrato reassumindo a manutenção. Decisão que se mantém. 

 

Em nota, o governo do Rio, disse que trabalha para definir os próximos passos quanto ao uso e gestão do Maracanã e que aguarda a rescisão do atual contrato para dar início a uma nova licitação. Enquanto isso, segundo a nota, o estádio continua em “pleno funcionamento, recebendo partidas e shows, além de visitas agendadas para tour”.

 

Deseja fazer algum tipo de manifestação?

Favor copiar o link do conteúdo ao apresentar sua sugestão, elogio, denúncia, reclamação ou solicitação.