Polícia Federal estima que fraude no Rodoanel causou prejuízo de R$ 600 milhões

02:40 Geral, Notícias 21/06/2018 - 14h47 São Paulo Embed

Nelson Lin

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (21), em conjunto com o Ministério Público Federal, a Operação Pedra no Caminho.

 

A operação não está relacionada à Lava Jato em São Paulo e investiga o superfaturamento e fraude em licitações da faixa norte do Rodoanel.

 

Foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 51 de busca e apreensão na capital, em Ribeirão Preto, Bofete, Arujá e Carapicuíba e também no Espírito Santo, no município de Marataízes.

 

São alvos dos mandados ex-diretores da DERSA, executivos das empresas envolvidas nas obras e gestores dos contratos com irregularidades. Um dos presos é Laurence Casagrande Lourenço, atual diretor-presidente da CESP a Companhia de Energia Elétrica de São Paulo e ex-diretor da DERSA.

 

O inquérito policial foi instaurado em 2016, após um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras apresentar, à Polícia Federal, informações acerca de possíveis manipulações em termos aditivos das obras da faixa norte do Rodoanel, para aumentar o valor pago à empreiteiras.

 

Esses aditivos eram relacionados, principalmente, à fase de terraplanagem e incluíam novos serviços para efetuar a remoção de rochas. De acordo com o delegado Victor Hugo, as provas periciais indicam que, em alguns casos, o projeto inicial já contemplaria o custo da remoção e, em outros, as empreiteiras colocavam um valor bem abaixo para vencer a licitação para, depois, pedir o aditivo. Existe ainda outra linha de investigação de que empresas contratadas não teriam prestado os serviços.

 

Os valores destinados pela União e pelo estado de São Paulo para a obra do Rodoanel Norte foram da ordem de R$ 6,4 bilhões. A Polícia Federal estima que os prejuízos aos cofres públicos cheguem a R$ 600 milhões.

 

Se denunciados, os investigados responderão pelos crimes de estelionato, fraude a licitação e falsidade ideológica.

 

Em nota, a  DERSA afirmou que é a maior interessada acerca do andamento do processo e que, havendo qualquer eventual prejuízo ao Erário Público, o Estado adotará as medidas cabíveis.