Não deixe o Cerrado acabar; uma súplica da seriema e do lobo-guará

02:21 Geral, Especiais 11/09/2018 - 12h38 Brasília Embed

Anna Luisa Praser

Cerrado, berço das águas, onde voa o carcará. Aqui a terra floresce, seca e enrijece, em seguida resplandece e a vegetação volta a esverdear. Na sombra dos pequizeiros, abaixo dos galhos retorcidos, uiva, faceiro, o lobo-guará.


O joão-de-barro constrói sua casa, abrigo do sol a pino, em galhos de ipês divinos, que é para o bioma enfeitar.


Mas, em meio a esse raro espetáculo, surge a mão do homem moderno, que se esconde atrás do terno, para o Cerrado devastar.


Enquanto a seriema chora baixinho vendo o Cerrado se acabar, a realidade amarga feito guariroba e lembra que já passou da hora deste bioma cuidar.


E pra quem acha que o Cerrado não faz diferença, tem que se desfazer dessa crença e começar a preservar.


A professora universitária Vera Catalão explica a necessidade de olhar para o Cerrado com mais atenção.


O Cerrado cobre um quarto de todo o território nacional e só perde para a Amazônia em diversidade de fauna e flora. E, de acordo com a professora, grande parte dos maiores rios brasileiros precisa deste bioma para sobreviver.


Quase metade do Cerrado já foi destruída em função do plantio de soja e da criação de gado. Nessa porção devastada, vários espécimes da fauna e da flora se perderam antes mesmo de serem catalogados.


E, no Dia Nacional do Cerrado, o apelo é para que ele não seja apenas poesia em flor, que só desabrocha na lembrança, mas que seja matéria viva e presente, guardada e cuidada, deixada para as gerações futuras como uma valiosa herança.