Saúde de povos indígenas e ribeirinhos é desafio para o próximo governo do Brasil

06:24 Geral, Especiais 27/09/2018 - 11h52 Manaus Embed

Renata Martins

“Amaturá eu fui daqui de Manaus até lá de barco, de lancha rápida, 36 horas. Depois que eu cheguei lá, a gente foi 4 horas de lancha pequena até a comunidade indígena.”

 

Essa matéria poderia ser sobre a saga de Hortemar, técnico de informática, ou de várias outras pessoas que, adoentadas ou não, precisam ir e vir de lugares quase inacessíveis do Brasil.

 

Mas hoje vamos abordar um dos desafios de quem pretende conduzir um país continental: a saúde e o acesso a ela.

 

Postos lotados, falta de medicamentos e médicos, filas para exames. Os desafios da saúde para o próximo presidente vão muito além quando falamos da população da Amazônia, dos povos indígenas e ribeirinhos. 

 

Tiago Alves é clínico geral de umas das quatro unidades básicas de saúde de Tabatinga município brasileiro da tríplice fronteira com Colômbia e Peru.

 

Para chegar à capital, Manaus, só de barco: 4 dias pra ir. Sete pra voltar, por causa da correnteza. Avião também faz a viagem, mas o preço é inacessível para a maioria dos moradores da cidade.

 

Foi por uma tela de televisão que o médico conversou com a nossa reportagem que estava na capital manauara.

 

A conexão é mesma que dá acesso ao doutor Tiago ao Telessaúde, o programa do Ministério da Saúde, que por meio da tecnologia busca melhorar e ampliar o atendimento à saúde.

 

O programa oferece as ferramentas como o de tele-educação e a segunda opinião formativa para a capacitação dos profissionais de saúde e tele-consultoria, que permite que médicos e pacientes em tempo real ou não tenham acesso à consulta com especialistas.

 

No Amazonas, o programa está sediado na UEA – a Universidade Estadual do Amazonas.

 


A coordenadora, Waldeyde Magalhães, explica que os especialistas que dão apoio aos médicos são professores da própria universidade.

 

Paciente do Doutor Tiago em Tabatinga, Maria Graciete Félix, sentia fortes dores nos joelhos. O diagnóstico da doença veio pelo telessaúde.

 

Se houve resistência da população em ser consultada pela televisão?

 

Nenhuma, responde a técnica de enfermagem, coordenadora do Telessaúde em Tabatinga, Rosa Macedo.

 

E os médicos, o que pensam do uso da tecnologia na profissão?

 

Para a Pediatra Silvana Benzecry, professora da UEA e uma das teleconsultoras, a ferramenta tem uma importância ímpar na Amazônia e encontra respaldo dos conselhos profissionais.

 

O Ministério da Saúde destaca que existem várias experiências nacionais no SUS, nas instituições de ensino e nos serviços privados que merecem ser compartilhadas com intuito de ampliar utilização do Telessaúde no Brasil.

 

No Amazonas, o Telessaúde tem pontos em todos os 62 municípios além de unidades prisionais e áreas indígenas.

 

A saga relatada por Hortemar, no começo da nossa reportagem, foi para instalar em uma área indígena, a antena que permite a conectividade via satélite dos pontos do telessaúde com a sede do programa.

 

Em algumas áreas o profissional que visita a aldeia espera à noite, período em que a energia elétrica é gerada, para mandar fotos e exames para os teleconsultores.

 

É o caso da aldeia de Rio Alto de Nhamundá.

 

Lázaro Hixkaryana, narra como a comunidade resolve a falta de energia.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, no Brasil, foram realizados mais de 600 mil teleconsultorias e mais de 4 milhões de telediagnósticos em todo o país.

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