Subfinanciamento e má gestão de recursos são apontados como entraves para saúde pública no Brasil

05:52 Geral, Especiais 27/09/2018 - 11h29 Palmas Embed

Dayana Vítor

Nos últimos dois anos, apenas o governo federal gastou mais de R$ 120 bilhões por ano para manter os serviços públicos de saúde em todo o Brasil. Mas, os recursos deverão crescer pouco nos próximos anos, devido a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos, que limita as despesas do governo à inflação do ano anterior.

 

Em 2019, estão previstos quase R$ 130 bilhões para a saúde no projeto de lei orçamentária anual. Mas,os investimentos no setor serão maiores, porque estados e municípios contribuem com receitas para pagar a conta da saúde.

 

Mas, mesmo com os valores aplicados no SUS, demora no atendimento, falta de equipamentos, materiais e servidores são problemas comuns em muitos hospitais pelo país. E melhorar a saúde pública será um dos grandes desafios do próximo presidente e governadores.

 

O Hospital Geral de Palmas, capital do Tocantins, é uma das unidades públicas de saúde que enfrenta várias dificuldades.

 

Na última visita da Defensoria Pública do Estado faltavam oxímetros, aparelhos que medem o nível de oxigênio, alguns medicamentos e os pacientes esperavam meses para realizar cirurgias.

 

Dona Beneci Gomes, 72 anos, aguardava há quase dois meses uma cirurgia para controlar um aneurisma cerebral. Ela afirmou que os médicos desmarcaram o procedimento mais de cinco vezes.

 

Já Geneci Rodrigues, estava há mais de um mês no Hospital Geral de Palmas, com o marido, Darmi Soares, que tinha um tumor no cérebro. Eles esperavam a transferência de Darmi para realizar uma cirurgia em Barretos, São Paulo.

 

A cidade paulista de Barretos também foi a alternativa do eletricista, Waldeir Nogueira, que cansou de esperar pela primeira consulta na oncologia do Hospital Geral de Palmas para o irmão, Waldir.

 

O primeiro atendimento ocorreu mais de seis meses após o diagnóstico do câncer na boca, em um consultório há mais de 1,3 mil quilômetros da residência do paciente.

 

Waldeir nos conta como foi a batalha da família até conseguir o tratamento.

 

Em 2017, o Tocantins destinou um R$ 1,7 bilhão para a saúde e gastou um R$ 1,4 bilhão. Neste ano, já foram utilizados mais de um R$ 1,2 bilhão.

 

Mas, de acordo com a Secretaria de Saúde do estado, 82% do dinheiro são destinados ao pagamento de salários.

 

Além disso, A Defensoria Pública tocantinense garantiu que, entre 2017 e 2018, mais de R$ 110 milhões de reais foram contingenciados da área e investidos em publicidade e desenvolvimento econômico.

 

O atual secretário de Saúde do estado, Renato Jaime, afirmou que não poderia responder pelo contingenciamento que foi decidido pelo governo anterior, pois estava no cargo há pouco mais de 90 dias. Mas, ele assumiu que existem problemas no Hospital Geral de Palmas, porém que esforços são empregados para melhorar a situação.

 

O defensor público tocantinense, Arthur Luiz Pádua, explica que o subfinanciamento é um dos principais problemas da saúde pública em todo o Brasil.

 

Já o chefe do departamento de economia e membro do Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, Sidney Pereira, avalia que a má gestão dos recursos é o principal entrave para uma saúde pública de qualidade.

 

Relatório da OMS - Organização Mundial da Saúde divulgado este ano revelou que o Brasil destina 7,7% do orçamento geral para gastos com saúde.

 

Já Argentina e Chile, investem mais de 12%.

 

A Suíça destina mais de 25% para o setor e os Estados Unidos gastam mais de 22%.

 

Sonoplastia de Marcus Tavares.

 

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