Viva Maria: Mulheres do Ceará lutam para salvar da extinção a rara abelha Jandaíra

08:28 Geral, Programetes 03/10/2018 - 09h05 Brasília Embed

Apresentação Mara Régia

Sob o signo da paciência e persistência, mulheres em movimento ultimam esforços em apoio às candidaturas femininas nas eleições do próximo domingo. Tentam, de alguma forma, compensar o fracasso da regra eleitoral que garantiu a cota de 30% do dinheiro do fundo eleitoral para as campanhas do mulherio. Para isso, trabalham, como formiguinhas, a consciência de que a maioria do eleitorado brasileiro é mulher e que nós poderemos, sim, decidir o futuro político desse nosso Brasil nas urnas. 

 

Quando desafiadas em suas estratégias políticas, entoam algumas palavras de ordem que, para muitos, soam como ferrão!

 

E é assim que, de posse da capacidade de procurar alimento em trilhas de mão única ou mão dupla, contornam obstáculos e constroem caminhos alternativos, guiadas pela certeza de que são os “insetos” mais numerosos do planeta. E é nessa condição que, neste 3 de outubro, elas se abraçam com a maior sororidade a um outro grupo de insetos sociais: as abelhas! As donas do dia!

 

A data vem nos lembrar a importância desta espécie que é fundamental para a nossa própria sobrevivência, já que as abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies de vegetais que fornecem 90% dos alimentos para as mais de 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra.

 

Talvez por ignorância, ou “mardade das pior”, estudos recentes mostram  que as abelhas estão desaparecendo. E um mundo sem elas não vai ficar apenas menos doce, não! Ficará sem uma enormidade de espécies vegetais que, como o maracujá, berinjela, pimentão, têm flores mais fechadas e, por isso, precisam de polinizadores específicos.

 

No Brasil estamos assistindo à perda de milhares de colônias. E a razão maior para essa devastação é o  amplo uso de inseticidas “neonicotinoides”, defensivos agrícolas utilizados em todo o mundo, que atingem o sistema nervoso e digestório das abelhas, provocando desarranjos em seus sistemas de navegação.

 

As abelhas morrem intoxicadas ou perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, elas não conseguem se alimentar e acabam morrendo por inanição. Diante deste cenário dramático, é preciso fazer como o Parlamento Europeu, que já baniu a comercialização desses venenos em seu território.

 

Em tempo de eleições, vale pensar um pouquinho no perfil das pessoas que você está prestes a escolher para lhe representar ou substituir, se você é uma pessoa que sequer se recorda o nome daqueles que elegeu há quatro anos.

 

Sejamos, portanto, organizadas como as abelhas operárias responsáveis por um sistema que pode ser considerado como “plano de carreira”.  Verdade ! De acordo com a sua idade, vão mudando de função dentro do grupo, que se comporta quase como um só organismo.

 

Em cada colmeia, existe uma rainha, que vive entre quatro e oito anos e, quando bem alimentada, põe de 2 mil a 3 mil ovos por dia. Além dela, há cerca de 400 mil zangões, que têm a função de fecundar a rainha. Eles morrem após a fecundação ou são mortos pelas operárias ao final da florada.

 

E, finalmente, as grandes responsáveis pelo funcionamento da sociedade, as operárias, em um número que varia de 60 a 100 mil indivíduos, que vivem de 30 a 50 dias e que se dividem em faxineiras e já no terceiro dia de vida tornam-se cozinheiras.

 

Há também as nutrizes, as engenheiras, as  guardiãs da colmeia e, por fim, as campineiras que, ao fim de seu pequeno ciclo de vida, são responsáveis por trazer para a colmeia a resina, o néctar, o pólen e a água. E, como se não bastasse tudo isso, as abelhas têm uma sensibilidade invejável: são capazes de identificar a espécie, o sexo, a função e a idade das companheiras pelo cheiro.

 


Ah, quem dera pudéssemos, em tempo de eleições ter a mesma capacidade! Mas já que isso não é possível, Maria, que sejamos raras e sensíveis como a Jandaíra. Embora ameaçada de extinção, essa espécie conta com o trabalho incansável das mulheres do sertão que vivem em  Pentecostes, no estado do Ceará. Jandaíra tem tudo para se salvar da ação devastadora das pessoas que insistem em queimar e destruir o habitat dessa abelhinha nordestina.

 

 

Maria Aurigele, por meio da Adel, que é a Agência de Desenvolvimento Econômico Local, compartilha com a gente um pouco do resultado do seu trabalho. Diga lá, querida!

 

 

 

Viva Maria: Programete que aborda assuntos ligados aos direitos das mulheres e outros aspectos da questão de gênero. É publicado de segunda a sexta-feira. Acesse aqui as edições anteriores.

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