Denúncia contra João de Deus deve ser apresentada pelo MP nesta sexta-feira

01:59 Geral, Notícias 27/12/2018 - 17h30 Brasília Embed

Lucas Pordeus León

O Ministério Público de Goiás prepara a primeira denúncia contra o médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus.

 

Ele é acusado de crimes sexuais contra mulheres que buscavam atendimentos espirituais ou curas mediúnicas.

 

Segundo a assessoria do Ministério Público, a denúncia deve ser apresentada à Justiça nesta sexta-feira (28) e vai conter acusações relativas a um inquérito que tramita na Polícia Civil do estado.

 

Na quarta-feira, os promotores interrogaram João de Deus por uma hora e meia. Ele negou todas as acusações e, segundo a defesa, não lembrava de algumas das denunciantes, segundo ele, devido ao grande número de pessoas que frequentam o centro. Assessores da casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus realizava os atendimentos, dizem que 5 mil pessoas visitavam o local por semana.

 

Já a Procuradora-geral da República, Raquel Dogde, se manifestou no Supremo Tribunal Federal contra o Habeas Corpus do médium, pedindo que João de Deus continue preso.

 

Raquel Dodge argumentou que a prisão interrompe a prática de mais crimes, como intimidação de testemunhas e vítimas, além de evitar uma fuga.

 

Para a procuradora, a movimentação financeira indica risco de fuga e intenção de dificultar as investigações, pois o médium teria aberto mão de rendimentos para realizar saque imediato de grandes quantias.

 

O Ministério Público identificou movimentação de R$ 35 milhões nas contas de João de Deus, após o pedido de prisão do médium.

 

Sobre o argumento da defesa de que ele teria se apresentado espontaneamente a polícia, Raquel Dogde diz que isso só ocorreu depois que a prisão foi decretada e que já havia se tornado pública a informação da movimentação financeira do médium.

 

A defesa de João de Deus entrou com um Habeas Corpus no Supremo, que será analisado pelo presidente da corte, ministro Dias Toffoli.

 

O médium está preso desde o dia 16 de dezembro.

 

O Ministério Público de Goiás contabiliza mais de 600 denúncias que somam 260 possíveis vítimas, incluindo crianças e adolescentes.

 

A defesa de João de Deus nega todas as acusações.

 

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