Esquema envolvendo Temer e Moreira Franco teria movimentado R$1,8 bilhão, afirma MPF

03:53 Geral, Notícias 21/03/2019 - 21h48 Rio de Janeiro Embed

Fabiana Sampaio

Procuradores da República afirmaram que o ex-presidente Michel Temer e seu grupo criminoso teriam movimentado cerca  de R$1,8 bilhão em propina. E que a organização criminosa, que seria liderada pelo ex-presidente, atuava há mais de 40 anos. 

 

Segundo o procurador Eduardo El Hage, o valor é fruto da soma de todos os recursos ilícitos que estão sendo apurados também em outros inquéritos envolvendo Michel Temer.

 

Representantes do MPF e da Polícia Federal no Rio de Janeiro concederam entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (21) para falar sobre a Operação Descontaminação, que, além do ex-presidente, prendeu também ex-ministro Moreira Franco, o coronel reformado da PM de São Paulo João Batista Lima Filho e outras sete pessoas.

 

Segundo os procuradores, a denúncia de mais de 400 páginas, tem provas robustas da atuação do grupo obtidas em operações que apuraram desvios de recursos nas obras da usina Angra 3, da empresa Eletronuclear.

 

A investigação também foi aprofundada a partir de acordo de delação premiada, quebra de sigilos telemáticos e relatórios da Receita Federal, do COAF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, e do Tribunal de Contas da União.

 

Segundo a denúncia, Temer teria indicado Othon Luiz da Silva para a presidência da Eletronuclear em 2015 e como contrapartida foi exigida a contratação da empresa Argeplan, do Coronel Lima.

 

Procuradores afirmaram que a Argeplan foi subcontratada pelo projeto vencedor de obras de Angra 3 sem que tivesse competência para projetos da área nuclear, e os pagamentos efetuados à empresa eram propina de serviços que não foram executados, revertida em prol da Organização criminosa.

 

A denúncia cita ainda obras que foram realizadas na casa da filha de Michel Temer, Maristela Temer, que foi alvo de mandado de busca e apreensão nessa quinta-feira (21).

 

Segundo os procuradores da Lava Jato no Rio as obras de mais de R$ 1 milhão foram capitaneadas pela esposa do Coronel Lima e pagos pela Argeplan. 


Já o ex-governador do Rio e ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco  também teria intermediado o pagamento e recebimento de propina a Michel Temer, por meio do Coronel Lima, em contratos fictícios também na prestação de serviços para a Eletronuclear envolvendo a empresa Engevix.

 

Segundo o MPF, empresas foram criadas para atender os interesses do grupo criminoso. 

 

O procurador da República Rodrigo Timóteo afirmou que, diante das provas contundentes reunidas, estranho seria se o ex-presidente não tivesse sido preso. 

 

A defesa de Temer ingressou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que será examinado pelo desembargador Ivan Athié.

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