Com dívidas, pequenos agricultores de Brumadinho querem terra para retomar produção

03:12 Geral, Notícias 01/07/2019 - 15h36 Brasília Embed

Lucas Pordeus León

A agricultora familiar Soraia Campos filmou quando a lama invadiu o terreno onde ela e mais outras 11 famílias produziam na zona rural do município de Brumadinho, em Minas Gerais.

 

Soraia conta que mais de 60 corpos foram retirados da propriedade que antes produzia alimentos e que, para os agricultores, sobraram as dívidas.

 

O rompimento da barragem de rejeitos da mineração da Vale interrompeu a produção de dezenas de famílias no município.

 

Para retomar esta produção, um programa encabeçado pelo ministério da Cidadania, em parceria com o Senar, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, promete ir atrás das famílias para oferecer assistência técnica com financiamento rural, explicou Matheus Ferreira, diretor do Senar Brasil.

 

O Senar ainda não tem data para o início do programa, mas calcula que ele deve começar em agosto e beneficiar 790 famílias do município. Mas a agricultora Soraia Campos, que representa a Comissão de Moradores de Brumadinho, ressalta que a assistência esbarra em outro problema: o da falta de terra e água limpa.

 

Segundo a produtora rural, as indenizações não substituem a terra que foi destruída e que a saída é um novo assentamento para as famílias.

 

A agricultora de Brumadinho destaca que mesmo quem possui um reservatório com água limpa tem dificuldade de vender os produtos porque todos estão desconfiados dos alimentos que vem de Brumadinho por causa dos rejeitos despejados no Rio Paraopeba.

 

A comissão de moradores ainda negocia com a Vale para que ela arque com os empréstimos usados para manter a produção rural, já que os rejeitos da lama impedem a agricultura.

 

Em nota, a mineradora diz que existe a previsão de indenização para prejuízos de renda ou financeiros, entre eles, dívidas com empréstimos.

 

A empresa Vale orienta que os atingidos busquem a Defensoria Pública ou a própria Vale para negociar a indenização.

 

Os pequenos agricultores de Brumadinho recebem, desde o rompimento da barragem, um salário-mínimo por mês como medida emergencial.

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