Justiça decreta prisão preventiva de responsáveis por queda de prédios na Muzema

02:34 Geral, Notícias 17/07/2019 - 09h01 Rio de Janeiro Embed

Ícaro Matos

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público (MP) e decretou, nessa terça-feira (16), as prisões preventivas de José Bezerra de Lira, conhecido como Zé do Rolo, Rafael Gomes da Costa e Renato Siqueira Ribeiro pelos crimes de homicídio doloso qualificado, por 24 vezes, lesão corporal, por três vezes, e desabamento, em razão do desmoronamento de dois prédios no Condomínio Figueiras, na comunidade da Muzema, na zona oeste da capital fluminense, no último dia 12 de abril.

 

Ao longo da investigação conduzida pela delegacia da Barra da Tijuca, diversas testemunhas, em especial moradores da localidade e vítimas sobreviventes do desabamento apontaram José Bezerra e Rafael como os responsáveis pela construção dos prédios, enquanto Renato seria uma espécie de corretor informal, encarregado da venda dos apartamentos.

 

Foi levantado que Renato Siqueira Ribeiro é o proprietário da Imobiliária Muzema, que funciona irregularmente já que não possui registro junto ao Conselho Regional dos Corretores de Imóveis.

 

Rafael e Renato já sem encontram presos temporariamente e terão a prisão convertida para preventiva, que é aquela que não tem prazo para terminar, enquanto José Bezerra é considerado foragido.

 

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, para obter o maior lucro possível, abusando da confiança de cidadãos que buscavam realizar o sonho da “casa própria”, os denunciados construíram edifícios para moradia de centenas de pessoas sem autorização das autoridades competentes e nem sequer contratar um engenheiro civil que pudesse atestar a higidez das obras.

 

Ainda de acordo com a denúncia, mesmo alertados diversas vezes pelos moradores acerca dos problemas estruturais que os edifícios apresentavam, como rachaduras nas paredes e infiltrações, os responsáveis pela construção nada fizeram, assumindo o risco pelas mortes que ocorreram.

 

Para o Ministério Público, isso mostra que os denunciados tinham total ciência da fragilidade dos edifícios que construíram, total consciência de que esses prédios estavam habitados e que o desabamento dos mesmos causaria a morte de dezenas de pessoas, como de fato ocorreu.

 

Ainda assim, eles não tomaram nenhuma atitude para evitar a tragédia, demonstrando claramente que almejavam a obtenção de lucros a qualquer custo, sem a menor preocupação com a vida humana.

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