Governador do RJ diz que cartas de crianças da Maré sobre violência foram alteradas por traficantes

02:22 Geral, Notícias 16/08/2019 - 22h14 Rio de Janeiro Embed

Fabiana Sampaio

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, voltou a fazer referência às mais de 1,5 mil cartas, boa parte delas escrita por crianças, moradoras do complexo de favelas da Maré, entregues ao Tribunal de Justiça na segunda-feira.


Após a Justiça ter restabelecido liminar em Ação Civil Pública que estabelece um protocolo de redução de danos durante Operações Policiais na Maré, Witzel afirmou que as cartas teriam sido manipuladas por traficantes.


Em evento nesta sexta-feira, além de retomar o assunto, o governador culpou os criminosos e defensores de direitos humanos pelas mortes de seis jovens nos últimos dias

 

“Quando eles matam um inocente, ‘levantam a foto’ do inocente dizendo que a polícia matou. Mas quando eu digo que tem que abater quem está de fuzil, se levantam contra. E são esses que estão andando de fuzil a tiracolo na comunidade que atiram nas pessoas inocentes. Porque pessoas que se dizem defensoras de direitos humanos, pseudo defensoras de diretos humanos, não querem que a polícia mate quem está de fuzil. Se não mata quem está de fuzil, quem morre são os inocentes. Então está na sua conta, defensores. Esses cadáveres desses jovens não estão no meu colo, estão no de vocês”.

 

A ONG Redes da Maré, que atua há mais de vinte anos em projetos e ações para melhorar a vida de moradores do conjunto de favelas, na zona norte do Rio, idealizadora da mobilização com as cartas, rebateu, em nota, as declarações do governador.


o texto afirma que a fala de Witzel é leviana e mostra seu total desrespeito pelos moradores do local, em especial as crianças. A nota diz ainda que o governador não assume a responsabilidade pela escalada da violência e mortes causadas por sua política de segurança. A ONG afirma também que as declarações dele chocam pela agressividade, irresponsabilidade e total falta de preparo para o cargo que exerce.

 

Em nota anterior, divulgada quinta-feira, a Redes da Maré havia informado que as 1.509 cartas endereçadas à presidência do Tribunal da Justiça do Estado descrevem a dura realidade, o medo e a violência que atingem a população durante confrontos entre agentes da segurança pública e traficantes que controlam o comércio de drogas na região.

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