Obras de reassentamento em Mariana estão em fase inicial quase 4 anos após rompimento

03:43 Geral, Especiais 15/10/2019 - 11h24 Mariana (MG) Embed

Lucas Pordeus León

Já faz quase quatro anos do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), e as obras de reassentamento das populações atingidas ainda estão em fase inicial, no caso de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, distrito e subdistrito de Mariana.

 

No caso de Gesteira, distrito de Barra Longa, a obra ainda nem começou.

 

A principal comunidade atingida pelo rompimento da barragem das empresas Samarco, Vale e BHP foi Bento Rodrigues, onde 19 pessoas morreram soterradas pela lama. A comunidade está sendo reconstruída do zero a apenas 9 quilômetros de Mariana.


Um enorme canteiro de obras ocupa 98 hectares onde ficava uma plantação de eucalipto de uma indústria de celulose. O novo local foi escolhido pelos atingidos pela tragédia e a disposição das casas deve respeitar a urbanização da antiga Bento Rodrigues, que ficou submersa na lama.

 

A reconstrução da comunidade, segundo o gerente do Reassentamento, Emerson Viana, está 35% concluída.

 

A terraplanagem está pronta e a infraestrutura chegou a 85% do total, mas apenas 22 das 225 casas da nova Bento Rodrigues começaram a ser erguidas.

 

A Justiça determinou que o reassentamento seja entregue até agosto de 2020. Caso contrário, a Fundação Renova, criada pelas mineradoras para gerir a recuperação ambiental e os reassentamentos, pagará uma multa para cada dia de atraso.

 

Já o reassentamento de Paracatu de Baixo, localidade também destruída pelos rejeitos, está em uma fase ainda mais inicial do que Bento Rodrigues. Segundo o gerente de Obras, Marcello Lucena, 20% do projeto foram concluídos.

 

A construção está na fase de terraplanagem e eles ainda não começaram a erguer as 126 casas planejadas. Dos 117 lotes previstos, apenas 27 estão prontos, esperando a liberação da prefeitura.

 

Mas o reassentamento com prazo mais atrasado é o da comunidade de Gesteira, do município de Barra Longa. Neste caso, as obras ainda não começaram.

 

A professora Simone Silva tinha um lote em Gesteira, onde ainda moravam outros familiares, que faleceram um tempo após o rompimento. Ela conta que a Fundação Renova tem se negado a aceitar algumas diretrizes que a comunidade impôs para o reassentamento.

 

A Fundação Renova argumenta que obras dessas dimensões, feitas em conjunto com comunidades inteiras, levam mais tempo para serem executadas e apresentam imprevistos pela própria dinâmica do processo de participação popular.

 

Sobre a comunidade de Gesteira, a fundação afirma que, em agosto deste ano, foram iniciadas as discussões das diretrizes do reassentamento e, por isso, aguarda a definição do projeto, pela comunidade.

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