Visibilidade e mobilização desafiam Fórum Social Mundial

02:54 Internacional, Notícias 29/03/2015 - 17h27 Túnis, Tunísia Embed

Ana Cristina Campos

Inaugurado há 14 anos sob o lema “Um outro mundo possível”, o Fórum Social Mundial tem hoje o desafio de recuperar a visibilidade e mobilizar um número maior de organizações. Essa é a percepção de alguns organizadores e participantes da edição deste ano, realizada na Tunísia entre os dias 24 e 28 deste mês.

 

O diretor da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, a Abong, Damien Hazard, integrante do conselho internacional do fórum, defende a mobilização de um número maior de organizações. Particularmente os novos grupos sociais que surgiram em 2010, como o Occupy Wall Street, os Indignados da Espanha e os movimentos revolucionários no Norte da África.

 

Sonora: "O mundo não tem mais a mesma dinâmica social. O capitalismo entrou em 2008 em crise. Uma crise civilizatória com várias facetas, crise financeira, econômica, alimentar, política, social e ambiental."

 

O Fórum Social Mundial teve sua primeira edição em Porto Alegre, no Brasil, e nasceu como contraponto ao Fórum Econômico Mundial, que reúne grandes empresários e políticos em Davos, na Suíça. Para o brasileiro Francisco Whitaker, da Conferência Nacional de Bispos do Brasil, um passo importante para resgatar a visibilidade é voltar a fazer os encontros ao mesmo tempo que o fórum econômico.

 

Sonora: “Nós deixamos de fazer nas datas de Davos e do ponto de vista da comunicação isso foi muito ruim. Ele saiu do mapa. O fórum acontece, mas não se fala muito disso, porque quando Davos aparece toma o espaço."


Para o presidente do Fórum Tunisiano de Direitos Econômicos e Sociais, Mounir Hassine, o Fórum Social Mundial não perdeu a importância. Segue como um momento importante para a sociedade civil se articular e fortalecer a luta contra o modelo de desenvolvimento instaurado pelo neoliberalismo, que teria resultado em exclusão de classes sociais.


Sonora: “O fórum de 2013 [que também ocorreu na Tunísia] consolidou a sociedade civil [tunisiana] para lutar contra a islamização do Estado. Conseguimos, até o momento, ganhar a batalha da liberdade. Acredito que este fórum vai nos dar força para ganhar a batalha dos direitos que é a mais importante porque a reivindicação do povo tunisiano é pelos direitos econômicos e sociais.”


A Tunísia é considerada o berço da Primavera Árabe, a série de levantes populares que derrubou governos autoritários na região. A transição do país para um regime democrático é tido como o único caso de sucesso da onda de contestações, já que países como Síria e Egito estão assolados por conflitos. O país promoveu eleições parlamentares e elegeu seu presidente no ano passado.


Se for confirmada pelo Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, a cidade de Montreal, no Canadá, vai abrigar a próxima edição do fórum, o primeiro em um país do Hemisfério Norte.

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