Em quatro dias de protestos, Chile tem 11 pessoas mortas e mais de 800 detidas

020:02 Internacional, Notícias 21/10/2019 - 16h30 Montevidéu Embed

Marieta Cazarré, da Agência Brasil

Pelo menos 11 pessoas morreram durante os protestos no Chile, desde a última quinta-feira (17) .

 

A polícia chilena informou que 819 pessoas foram detidas ontem (20), totalizando mais de 1.400 desde o início dos confrontos. 67 policiais ficaram feridos.

 

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou ontem que o país está em guerra contra um inimigo poderoso, que está disposto a usar a violência sem nenhum limite.

 

Os protestos se iniciaram após um aumento no preço da passagem do metrô, que foi o estopim para a crise. Mesmo após o presidente Piñera revogar o aumento das passagens, os protestos continuaram. Manifestantes reclamam também da desigualdade social, dos altos preços de serviços de saúde e educação e dos baixos salários.

 

As manifestações violentas levaram o governo a decretar toque de recolher. Santiago do Chile, a capital do país, e outras quatro regiões proibiram o livre trânsito de pessoas entre as 19h e as 6h da manhã. Não havia toque de recolher no Chile há mais de 30 anos, desde a ditadura de Augusto Pinochet.

 

Diversos incêndios e barricadas foram registrados durante todo o fim de semana, lojas e supermercados foram invadidos e depredados. Quase 10 mil homens das Forças Armadas foram às ruas, após o presidente decretar estado de emergência na madrugada de sábado (19).

 

As aulas do ensino infantil, fundamental e médio estão suspensas, e o serviço de transporte funciona parcialmente. O aeroporto de Santiago também foi afetado e há diversos voos atrasados e cancelados.

 

De acordo com o relatório "Panorama Social de América Latina", da Comissão Econômica da América Latina e Caribe (Cepal), 1% da população chilena concentra mais de 26% da riqueza. O informe diz ainda que 66% dos chilenos têm apenas 2% do capital.

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