No Sínodo, papa diz que colonizações dividiram e aniquilaram indígenas

03:13 Internacional, Notícias 07/10/2019 - 15h33 Montevidéu, Uruguai Embed

Marieta Cazarré

O Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica foi aberto, na manhã desta segunda-feira (7), com uma oração diante do túmulo de Pedro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O encontro dos bispos católicos na sede da igreja, em Roma, segue até o dia 27 de outubro e tem como tema “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”.

 

O evento reúne bispos não só da Região Amazônica, que abarca Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, mas, também, de outras regiões. Entre os 185 sacerdotes que participam do evento, 58 são brasileiros. Representantes de comunidades indígenas também compareceram.

 

A oração inicial, na Basílica, foi intercalada com um canto da Região Amazônica, seguido pelo Veni Creator, um hino da Igreja Católica que invoca o Espírito Santo. Em seguida, os participantes se dirigiram em procissão até a Sala Sinodal levando cartazes e símbolos da Região Amazônica, como barcos, redes e outros objetos indígenas.

 

O papa Francisco explicou que o Sínodo tem quatro dimensões: pastoral, cultural, social e ecológica. Francisco falou também sobre as colonizações, que serviram para "dividir, aniquilar os povos originários, demonstrando todo o desprezo por eles."

 

Ele relembrou a experiência argentina, seu país de origem, onde os povos originários sofreram e sofrem, ainda hoje, com atitudes depreciativas.

 

Para o cardeal Cláudio Hummes, relator-geral do Sínodo para a Amazônia e presidente da Repam, a Rede Eclesial Pan-Amazônica, a Igreja Católica "precisa abrir as portas, derrubar muros que a cercam e construir pontes."

 

Ele discursou hoje, na abertura do Sínodo, e ressaltou a prática da misericórdia, da caridade e da solidariedade, "sobretudo para com os migrantes e os indígenas."

 

A Repam é formada pelos nove países que amazônicos, uma região com 7,8 milhões de quilômetros quadrados, onde vivem 33 milhões de habitantes, sendo um 1,5 milhão de indígenas, de 385 povos distintos.

 

Para o cardeal, a Igreja Católica deve defender e promover a vida das populações, especialmente dos povos originários e a biodiversidade do território na Região Amazônica.

 

Hummes afirmou que, segundo o processo de escuta da população, os interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade são a grande ameaça. Principalmente as empresas que extraem de modo predatório e irresponsável, legal ou ilegalmente, as riquezas do subsolo e da biodiversidade.

 

O Sínodo não se restringe aos debates e palestras na Sala Sinodal. Uma extensa programação, organizada paralelamente em diversas línguas, inclui celebrações, reuniões online, painéis de especialistas, mostras fotográficas, apresentação de documentários e mesas-redondas.

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