Área provável de origem do óleo fica em águas internacionais, a 700 km da costa

03:58 Meio Ambiente, Notícias 18/10/2019 - 18h05 Rio de Janeiro Embed

Lígia Souto

O ponto de origem do vazamento de óleo que atingiu todo o litoral Nordeste do país é objeto de estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pedido da Marinha, os pesquisadores Luiz Landau e Luiz Paulo Assad, da Coppe, Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ, delimitaram que a área fica em uma região entre 600 e 700 quilômetros da costa, na altura dos estados de Sergipe e Alagoas.

 

A estimativa preliminar foi feita com base em uma metodologia conhecida como modelagem numérica, que observa o movimento das manchas e faz o caminho inverso.


Utilizando imagem de satélite, computação de alto desempenho e modelo matemático, os cientistas inverteram o sentido temporal do vazamento. O cálculo usou o mapa atualizado diariamente pelo Ibama, que mostra os locais em que o óleo está chegando no Nordeste.


Considerando as condições oceânicas, como correntes marinhas, temperatura da superfície da água e os ventos, os pesquisadores desenharam o caminho percorrido.


De acordo com levantamento do Ibama, mais de 180 praias já foram atingidas pelo desastre ambiental.


Ao cruzar as trajetórias, os pesquisadores chegaram à região de partida do petróleo, localizada fora da zona econômica exclusiva do Brasil, em águas internacionais.

 

O oceanógrafo Luiz Paulo Assad, colaborador do laboratório e professor do Departamento de Meteorologia da UFRJ, ressalta que o estudo não indica exatamente o ponto específico de origem.

 

“O ponto inicial seria entre 600 e 700 quilômetros, mas ela entra um pouco mais pro Atlântico. A gente está neste momento trabalhando para tentar diminuir essa área, porque a gente não tem um ponto de vazamento, a gente tem uma área grande no meio do oceano”.

 

O professor explica que há muita incerteza com relação à trajetória de óleo, porque ocorreu abaixo da superfície, o que dificulta a análise.

 

“O óleo, ao ficar sobre a superfície do oceano, ele sofre um processo que a gente chama de intemperismo físico e químico. Ele sofre na verdade transformações em relação às suas características, altera um pouco a densidade dele, e fica em regiões subsuperficiais. Ele fica dentro da coluna d’água, mas em profundidade próxima da camada de superfície. Quando ele se comporta dessa forma, não há nenhum tipo de sensor remoto que consiga captar a imagem dele. Fica como se fosse escondido. As pessoas conseguem perceber a presença do óleo apenas quando ele está na praia, no litoral”.

 

A análise ainda não permite precisar o dia em que o acidente ocorreu, mas, segundo o professor, a probabilidade é que tenha sido no início de agosto.  Ainda de acordo com o oceanógrafo, a Marinha investiga quatro hipóteses que poderiam explicar o óleo: naufrágio de embarcação, operação de transbordo, vazamento acidental ou vazamento intencional. Luiz Paulo Assad explica que o estudo poderá contribuir para se chegar a essa conclusão, mas não irá determinar a causa.

 

“O nosso tipo de estudo pode dar suporte para uma investigação como essa. Essa informação sendo passada para um órgão como a Marinha, vai certamente agregar valor para selecionar uma área do oceano e tentar identificar quais embarcações passaram por ali em uma janela temporal”.

 

A primeira parte da análise já foi entregue à Marinha. Na próxima semana, os pesquisadores dão início ao trabalho que tenta antecipar a maneira como ocorrerá a dispersão de óleo de agora em diante. O próximo passo, portanto, é tentar prever para onde a mancha vai caminhar. A expectativa é que o estudo seja concluído dentro de um mês e meio.

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