Pescadores de Linhares (ES) enfrentam dificuldades após quatro anos da tragédia em Mariana

00:00 Meio Ambiente, Notícias 18/10/2019 - 20h45 Linhares (ES) Embed

Lucas Pordeus Leon

A Vila de Regência, no município de Linhares, no Espírito Santo, ainda vive as consequências da chegada dos rejeitos da mineração, 4 anos após o rompimento da barragem da Samarco, Vale e BHP, em Mariana.

 

Com cerca de mil e 300 habitantes, e a aproximadamente 670 quilômetros da barragem que rompeu, a Vila de Regência vive do turismo e da pesca na foz do Rio Doce. Mas os pescadores foram proibidos de exercer a atividade após a tragédia, e hoje vivem com um auxílio pago pela Fundação Renova, que é a entidade financiada pelas mineradoras para reparar os danos do rompimento.

 

Mesmo assim, alguns ainda se arriscam pescando na região, como conta o presidente da Associação dos Pescadores de Regência, Leônidas Carlos. Ele afirma que foi construído um criatório de tilápias, mas que não gera renda para todos.

 

O comerciante Jacinto Renato Ceolim tem um restaurante na vila. Ele afirma que hoje o movimento é cerca da metade do que era antes.

 

Uma placa na entrada da praia autoriza o banho de mar, e surfistas têm aproveitado as ondas da região. Regência também é local de desova de tartarugas marinhas. Uma base do projeto Tamar monitora a reprodução dos animais há 37 anos e, pela primeira vez, a porcentagem da chamada eclosão dos ovos, que é o total de tartarugas nascidas para o número de ovos depositados na areia, caiu de 80% para 60% na última temporada de reprodução, que terminou em março deste ano. A bióloga do projeto Tamar, Flávia Ribeiro, aponta que outras novidades foram observadas em relação as tartarugas.

 

A Fundação Renova, responsável pela reparação dos danos causados pelos rejeitos, promove dois projetos na região: um de apoio ao monitoramento das tartarugas, e outro de monitoramento dos impactos do rompimento em cerca de 500 quilômetros de praia entre Porto Seguro, na Bahia, e Guarapari, no Espírito Santo. O líder de biodiversidade da Fundação, Bruno Pimenta, diz que já foram detectadas mudanças na composição dos corais do Arquipélago de Abrolhos, considerado fundamental para o equilíbrio de todo ecossistema e que fica a 250 quilômetros da foz do Rio Doce.

 

O rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil e completa 4 anos neste 5 de novembro.

 

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