Dente permite definir comportamento de humano pré-colonial da Amazônia

01:43 Pesquisa e Inovação, Notícias 23/02/2017 - 11h53 Brasília Embed

Michelle Moreira

Um levantamento inédito de ossadas humanas pode ajudar a entender a Amazônia pré-colonial. 


Os materiais biológicos pertencem ao Museu Goeldi, do Pará, e foram encontrados em de cerca 50 sítios arqueológicos de diferentes regiões da Amazônia . 


A arqueóloga responsável pelo trabalho, Cláudia Cunha, explica que esses ossos já estavam há muito tempo no museu. Segundo ela, uma série de fatores fez com que eles não fossem estudados. 


“Desde o início do século passado até a década de 1970, 1980, havia o mito de que não havia material ósseo preservado na Amazônia. Então, pouca gente se dedicou a estudar isso. Além do mais, no Brasil, não existe curso de antropologia biológica”, afirmou.


Com o material coletado, o museu está construindo uma base de dados sobre a morfologia dentária original de populações ameríndias. Segundo a pesquisadora, a análise a partir da antropologia dentária é a que mais garante informações sobre populações e o passado. 


Cláudia Cunha disse que pelos dentes foi possível estimar a idade da morte de forma “bastante precisa para os não adultos”.


“Conseguimos informações sobre o tipo de dieta que eles usavam, nível geral de estresse e saúde das populações e até informações culturais. Os dentes guardam informações gerais no que se refere à estética”, ressaltou a pesquisadora. 


A profissional explica que todo o material ainda precisa ser identificado e analisado e que não existe prazo para o término do trabalho.