Brasil já teve mais de uma Bolívia de cobertura de terra alterada nos últimos anos

03:12 Pesquisa e Inovação, Notícias 18/12/2017 - 15h35 Rio de Janeiro Embed

Tatiana Alves

Mais de 1milhão de quilômetros quadrados do país já sofreram algum tipo de mudança na cobertura e uso da terra nos últimos anos. É o que concluiu um recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre monitoramento da cobertura e uso da terra.


Entre 2000 e 2014 cerca de 13% do território nacional sofreu algum tipo de mudança. Isso representa uma área maior que o território da Bolívia, por exemplo.


A plataforma digital tem informações cartográficas sobre cada um dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro e permite o acompanhamento das mudanças na cobertura vegetal, na ocupação e nas atividades agropecuárias em todo o território do país, entre os anos 2000 e 2014.


Entre as análises decorrentes do emprego da nova ferramenta digital do IBGE estão o cruzamento de dados obtidos por satélites, com levantamentos de campo para registrar as mudanças ocorridas na cobertura vegetal do país e analisar quais atividades agropecuárias estão relacionadas a essas mudanças.


O gerente de Estudos Ambientais do IBGE, Maurício Moreira, esclarece as diferenças do novo formato oferecido pelo instituto.


O novo portal é acessível tanto ao público técnico quanto à sociedade em geral já que não requer conhecimento de softwares especializados.


O diferencial do sistema é a padronização das medidas em quilômetros quadrados. É possível comparar e cruzar dados estatísticos e geocientíficos, além de acompanhar quilômetro a quilômetro o impacto das atividades econômicas sobre os recursos naturais no país.


As informações da Cobertura e Uso da Terra estão disponíveis para os anos 2000, 2010, 2012 e 2014 e são atualizadas a cada dois anos.


Entre os elementos que são objeto da análise estão áreas de pastagens, vegetação florestal, silvicultura, corpos d’água e áreas agrícolas. Esses recortes podem ser complementados com outras camadas de dados provenientes de pesquisas do IBGE ou de outros órgãos que utilizem grade estatística.


Entre os principais ganhos da nova iniciativa estão a agregação de informações de infraestrutura viária, vegetação, biomas e terras indígenas.


A iniciativa possibilita análises históricas mais precisas e traz informações mais completas em áreas como ordenamento territorial, propagação de vetores de doenças, mudanças climáticas e estimativas de emissão e sequestro de carbono.