Pesquisadores descobrem por acaso cola sustentável à base de bagaço da cana

02:16 Pesquisa e Inovação, Programetes 23/07/2018 - 11h43 Brasília Embed

Wellington Barros

A indústria da cana tem tudo a ver com produção de açúcar, álcool e... cola?

 

Isso mesmo!

 

Cientistas descobriram recentemente, por acaso, que é possível elaborar uma cola sustentável a partir do bagaço de cana.

 

O produto é atóxico, já foi patenteado no Brasil e leva também materiais descartados por empresas de celulose.

 

Os três ingredientes básicos são nanocelulose, lignina e látex, a única matéria-prima não obtida a partir do reaproveitamento de rejeito industrial.

 

A nanocelulose utilizada na fórmula da nova cola vem do bagaço de cana e a lignina é encontrada em um resíduo de indústrias de papel.

 

Além da vantagem econômica e ecológica, a cola de bagaço de cana não contem solventes químicos derivados do petróleo.  Alguns inclusive são cancerígenos.

 

 A pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, São Paulo, Rúbia Gouveia, destaca o caráter sustentável do estudo.

 

Sonora: “A gente trabalha nesse sentido de gerar esse valor agregado para um resíduo da agricultura que provavelmente poderia até ser descartado”.

 

A descoberta ocorreu acidentalmente durante estudo sobre reforço de materiais em que se identificou a propriedade pegajosa numa preparação com a nanocelulose.

 

O composto ficava grudado nos utensílios do laboratório, quando então surgiu a ideia de explorar esse potencial na área de substâncias adesivas, como conta Rúbia.

 

Sonora: “A gente encontrou por acaso essa propriedade interessante e decidiu ir para essa parte de adesivos, daí preparar outras formulações, colocar outros aditivos com propriedades adesivas e aí a gente descobriu que tinha uma boa eficiência”.

 

O alto poder de aderência foi comprovado em papéis, madeiras e alumínio. Depois de adaptações na fórmula, será a vez dos testes com vidros e em temperaturas variadas.

 

De acordo com Rúbia, a cola é tão eficiente quanto outras do tipo branca, à base de PVA, disponíveis no mercado.

 

Além do uso comercial, doméstico e escolar, o produto tem aplicação industrial, por exemplo nos ramos automobilístico, de móveis, construção civil e de brinquedos.

 

O próximo objetivo da pesquisa é licenciar a tecnologia para produção em larga escala.