Fiocruz descobre 4 novas espécies do mosquito-palha em Rondônia

03:46 Pesquisa e Inovação, Notícias 21/05/2019 - 11h20 Brasília Embed

Bianca Paiva

No Brasil, 280 espécies de flebotomíneos, mais conhecidos como mosquito-palha, já estão registradas. Dessas, 131 foram encontradas em Rondônia, até o ano passado. Esse número subiu com a descoberta recente da Fiocruz de quatro novas espécies circulando no estado.

 

O mosquito-palha é vetor para a transmissão do protozoário, parasita que causa a leishmaniose, doença endêmica na Região Norte. Entre 2017 e 2018, Rondônia teve 2.175 casos confirmados. Só em 2019, foram 226.

 

Os dados são da Agevisa, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde.

 

O biólogo e entomólogo Antônio Marques Pereira Júnior é um dos pesquisadores que descobriram as quatro novas espécies em Rondônia. Segundo ele, já há registros delas em outros estados. No entanto, Antonio ressalta que ainda não é possível afirmar que esses tipos de mosquito-palha são vetores da leishmaniose.

 

“Esses novos registros não possuem uma elucidação do seu papel vetorial. Então, nós não sabemos se eles podem estar atuando como vetores aqui na região. Mas a importância do nosso trabalho é porque a gente justamente faz essa busca no estado de insetos que podem estar atuando com importância médica. Demonstra a importância da diversidade que esses insetos possuem aqui no estado de Rondônia.”

 

Segundo o pesquisador, o resultado pode estimular a realização de novas pesquisas para descobrir se essas espécies atuam na transmissão da leishmaniose. Existem dois tipos da doença: a tegumentar, que pode apresentar as formas clínicas cutânea, a  mucocutânea, incluindo sintomas como úlceras na pele e mucosas, e a Visceral, a forma mais grave, que provoca febre de longa duração, perda de peso, anemia, aumento do fígado e baço, entre outros sintomas, que pode levar à morte.

 

Não há registro da forma visceral em Rondônia.

 

A leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito-palha e é contraída, principalmente, por pessoas que moram ou trabalham na área rural. É o caso de Moacir Zini, de 45 anos, que aos 19 anos foi diagnosticado com leishmaniose cutânea difusa, um tipo raro da tegumentar e até hoje faz tratamento para combater a doença. Ele é presidente da Abrapleish, a primeira associação de pacientes de leishmaniose do país, fundada em Mato Grosso, e destaca o trabalho preventivo que desenvolve.

 

“Eu tenho um trabalho voluntário, vou a tribos indígenas, assentamentos rurais, dou palestras. Eu tenho uma associação, a Abrapleish, a gente faz trabalhos, panfletagem para ensinar o povo a tomar cuidados, colocar mosquiteiros, rede em janelas, se prevenir no horário que ele - o mosquito - ataca mais, que é de 18h até 20h, quem gosta de pescar usar repelentes. A gente fala isso nas comunidades.”

 

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento da doença é feito com medicamentos específicos, é gratuito e está disponível na rede de serviços do SUS, o Sistema Único de Saúde.

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