Queimadas na Amazônia fazem duplicar internações de crianças com problemas respiratórios

03:19 Pesquisa e Inovação, Notícias 05/10/2019 - 07h20 Rio de Janeiro Embed

Fabiana Sampaio

O número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou nas áreas mais afetadas por queimadas na Amazônia.

 

É o que aponta estudo coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, que contou também com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

 

Os dados mostram que, entre maio e junho desse ano, foram mais de 5 mil internações de crianças com menos de 10 anos, na rede pública de saúde, o dobro em relação à média calculada para o mesmo período na série histórica.

 

O levantamento aponta ainda que em cinco dos nove estados da região houve aumento também no número de morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios.

 

Esse é o caso de Roraima, onde, no primeiro semestre de 2018, foram registrados mais de 1.400 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes com menos de dez anos. No mesmo período de 2019, esse número aumentou para cerca de 2.400 casos.

 

Segundo o pesquisador da Fiocruz, Christovam Barcellos, os números podem estar subestimados, porque não são contabilizados atendimentos feitos em pequenas unidades de saúde e por equipes de saúde da família, nem os registrados na rede privada. Ele também ressalta que outras parcelas da população estão vulneráveis ao problema.

 

Além do impacto das queimadas para a saúde infantil, na região amazônica, os pesquisadores também apontaram a repercussão nos atendimentos e despesas do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Foram registradas cerca de 2,5 mil internações a mais, por mês, entre maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal. Os atendimentos aumentaram em R$ 1,5 milhão as despesas do SUS.

 

Um balanço divulgado pelo Ministério da Defesa mostrou que já foram aplicados mais de R$ 36 milhões em multas pela Operação Verde Brasil. Para o pesquisador Christovam Barcellos, parte desses recursos deveria cobrir os gastos excedentes com a saúde pública.

 


O estudo foi realizado com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do Departamento de Informática do SUS.

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