Gravações apontam que Delcídio tentou dificultar investigações

03:11 Política, Notícias 26/11/2015 - 16h19 Brasília Embed

Victor Ribeiro

Está previsto para hoje o primeiro depoimento do senador Delcídio do Amaral que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi detido no começo da manhã dessa quarta-feira e passou a noite na área administrativa do prédio, em uma sala com mesa, cadeira e uma cama, sem banheiro, telefone ou computador.

 

O pedido de prisão preventiva foi feito pela Procuradoria-Geral da República e autorizado pelo ministro Teori Zavascki, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Zavascki explicou que Delcídio tentou dificultar o trabalho da Justiça.

 

Também foram presos o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira; o banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual; e o advogado Edson Ribeiro, que trabalhou para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

 

A principal prova contra Delcídio do Amaral é a gravação de uma reunião entre ele, Diogo, Edson e o filho de Nestor, Bernardo Cerveró. Nela, o senador insinua que pode interferir politicamente no Supremo Tribunal Federal, para blindar o ex-diretor da Petrobras.

 

"Temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também. Por que, o Gilmar ele oscila muito, uma hora ele tá bem, outra hora ele tá ruim."

 

Na gravação que Bernardo Cerveró entregou ao Ministério Público, Delcídio afirma que o foco deve ser planejar a retirada de Nestor Cerveró do país, assim que ele conseguir sair da prisão. Bernardo sugere uma fuga de barco, para a Venezuela.

 

O advogado do senador Delcídio do Amaral, Maurício Silva Leite, afirmou estar inconformado porque a Justiça levou em consideração as acusações de um delator já condenado. Em nota, o presidente Nacional do PT, Rui Falcão, destacou que nenhuma das denúncias atribuídas a Delcídio tem relação com a atividade partidária e, por isso, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade. A presidência do PT vai convocar uma reunião da Executiva Nacional do partido para avaliar o que fazer.

 

Delcídio do Amaral era líder do governo no Senado. A Secretaria de Governo do Palácio do Planalto vai anunciar o novo líder na semana que vem. Até lá, os quatro vice-líderes do governo no Senado vão exercer a liderança. São os senadores Hélio José, do PSD; Paulo Rocha, do PT; Wellington Fagundes, do PR; e Telmário Mota, do PDT.

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