Ex-dirigente da Fetranspor diz ter pago R$ 80 milhões em propina a Jorge Picciani

02:15 Política, Notícias 20/06/2018 - 13h08 Rio de Janeiro Embed

Ícaro Matos

O deputado estadual Jorge Picciani, do MDB, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), teria recebido R$ 80 milhões em propinas de empresas de ônibus. A acusação foi feita pelo ex-vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Marcelo Traça.


A quantia, de acordo com o empresário, foi dividida em 40 parcelas de R$ 2 milhões. O objetivo era aprovar leis que favorecessem o setor, na Alerj.


No depoimento, Traça declarou que tinha relação de amizade com Picciani e que foi chamado para uma reunião na casa dele, no final de 2015.


No encontro, onde também estava presente o então presidente da Fetranspor, José Carlos Lavoura, Traça disse ter tomado conhecimento de que a Federação tinha um acerto mensal com Picciani, no valor de R$ 2 milhões.


Ainda na mesma reunião, ele teria sido designado para fazer a entrega da quantia.


Traça também disse que pagava propinas mensais ao deputado estadual Edson Albertassi, do MDB, no valor de R$ 68 mil, com o objetivo de garantir influência da Fetranspor na Alerj.


Ainda de acordo com ele, os valores eram pagos em espécie, tanto para Picciani quanto para Albertassi, em lugares que iam desde as residências dos parlamentares a restaurantes e até mesmo na Alerj.


Traça depôs na condição de delator, nessa terça-feira (19), no Tribunal Regional Federal (TRF) da Segunda Região, no Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Cadeia Velha, que investiga a existência de uma organização criminosa que atua no setor de transportes públicos no Estado, com apoio de parlamentares da Alerj.


Os deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Mello, também do MDB, foram presos preventivamente na ação, em novembro do ano passado.


Atualmente, Albertassi e Mello seguem detidos na penitenciária Bangu 8, enquanto Picciani recebeu o benefício da prisão domiciliar, devido à problemas de saúde.


As defesas dos parlamentares foram procuradas para se manifestar sobre as acusações, mas não deram retorno.

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