Confira o depoimento da repórter da Radiobrás que cobriu a Constituinte

02:41 Política, Especiais 05/10/2018 - 12h51 Brasília Embed

Deogracia Pinto

Há 31 anos fui designada pelo presidente da então Radiobrás a trabalhar na Câmara dos Deputados como repórter de televisão para o Diário da Constituinte, jornal criado pela Assembleia Nacional Constituinte e que foi ao ar, pela primeira vez, no dia 8 de abril 1987.

 

Me apresento para a nova tarefa e vejo que lá, tudo era diferente. Os dias eram preenchidos por entrevistas e debates.  As reuniões chegavam a ser realizadas madrugadas adentro.

 

Os assuntos eram diversos na tentativa de mudar a vida da população. A Primeira Emenda, de iniciativa popular apresentada à Câmara dos Deputados, veio de um bairro pobre da cidade de Salvador, na Bahia.

 

Com mais de 30 mil assinaturas pedia, apenas, um recanto para os aposentados.

 

Os parlamentares, que até aquele momento eram novos e desconhecidos, se tornaram populares.

  

Quando saia com a equipe para entrevistá-los, lá estavam, enfileirados, no Salão Verde da Câmara. Eram 559 parlamentares de todas as regiões do país e de 13 partidos políticos.


Alguns, de primeiro mandato, querendo marcar presença e ficar conhecido.

 

A pauta da semana era baseada na agenda dos trabalhos realizados pelos constituintes, que acompanhei por cerca de um ano e meio, até a promulgação da Constituição Cidadã, que neste 5 de outubro completa 30 anos.

 

Além de mim, outros oito profissionais cedidos pela então Radiobrás formavam a equipe.

 

Fomos responsáveis por registrar momentos importantes do processo de elaboração da nova Constituição, que nascia junto com a redemocratização do país.  Foram 4.871 entrevistas de parlamentares e mais de 300 gravações com cidadãos, muitos representando movimentos comunitários ou entidades de classe.

 

O contato com a população do interior do país foi uma das coisas que mais marcou dessa época.

 

No total, foram 716 edições – com aproximadamente cinco minutos - produzidas pela nossa equipe e veiculadas, duas vezes ao dia, obrigatoriamente em 170 emissoras de televisão do país.

 

A última edição foi realizada na promulgação da Nova Carta.

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