Pediatras denunciam atendimento precário de saúde para crianças venezuelanas em Roraima

03:30 Saúde, Notícias 01/11/2019 - 21h34 Brasília Embed

Bianca Paiva

Uma moção de alerta sobre o atendimento de saúde a imigrantes venezuelanos em Roraima foi enviada, nesta sexta-feira, pela SBP, a Sociedade Brasileira de Pediatria, aos governos federal, do estado e ainda órgãos do Judiciário.

 

O documento aponta precariedade na assistência, especialmente às crianças, que já chegam muito doentes, com um quadro de desnutrição crônica. É o que explica a presidente da Sociedade Roraimense de Pediatria, Adelma Figueiredo.


“Elas chegam sempre com uma condição de saúde muito grave. Porque ela não tem só a doença daquele momento, ela tem a doença sob uma condição nutricional muito precária. Então sempre que uma pneumonia, uma diarreia acomete um desnutrido, a gravidade é muito maior, o tempo de internação é muito maior. As nossas emergências estão superlotadas”.


Segundo a doutora Adelma, a única maternidade pública de Boa Vista tem feito cerca de mil partos por mês, a maioria de mães adolescentes sem o acompanhamento pré-natal, o que aumenta as chances de parto prematuro, de morte e malformações nos bebês.


A carta de alerta foi redigida durante o 39º Congresso Brasileiro de Pediatria, ocorrido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no mês de outubro.


Os médicos pedem ações concretas das autoridades de saúde diante do cenário de calamidade em Roraima.


“Precisa do aumento de insumos, leitos hospitalares, atendimento com retaguarda. Não é só trazer o profissional para atender. Precisa ver que se aumentou 20% na população, tem que aumentar os insumos, os leitos em 20%. Tem que ser proporcional”.


Em nota, a prefeitura de Boa Vista declarou que é a maior defensora de que a saúde municipal precisa de mais médicos, principalmente, pela demanda que surgiu com a imigração. E que, para amenizar a falta de pediatras, fez este ano dois processos seletivos com urgência e atualmente tem um concurso para médicos em andamento.


No entanto, a prefeitura da capital roraimense ressalta que esta situação não pode ser enfrentada apenas pelo município, e que o Governo Federal precisa ajudar a encontrar solução concreta pra a demanda. Além disso, informou que teve o pedido atendido pela Justiça para que a União devolva os 22 profissionais do Programa Mais Médicos que havia perdido, após o Ministério da Saúde classificar Boa Vista como uma cidade “menos vulnerável”.


Também em nota, a Secretaria de Saúde (Sesau) esclarece que, mesmo diante dos problemas ocasionados pela crise migratória, tem dado assistência necessária à população venezuelana que busca atendimento de saúde nas unidades do estado. A pasta afirma, ainda, que fornece todas as vacinas e insumos para os municípios.

 

Em nota, o Ministério da Saúde disse que participa do esforço de proteção e acolhimento humanitário aos venezuelanos que chegam ao Brasil e que, desde 2016, foram investidos mais de R$ 159 milhões para ampliar o atendimento. Esses recursos foram destinados a obras e à compra de equipamentos em unidades de saúde, reforço e ampliação do atendimento hospitalar.

 

* Produção: Marcela Rebelo

** O áudio foi substituído para acréscimo de informação, às 23h09, de 04.11.2019, relativa às respostas da Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde. O texto também foi alterado com o mesmo objetivo.

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