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Indústria de shows e eventos já perdeu 1,3 milhão de empregos em meio à pandemia

07:23 Cultura, Notícias 19/06/2020 - 17h49 Rio de Janeiro Embed

Tâmara Freire

Tão dependentes das aglomerações, os eventos e atividades culturais foram os primeiros segmentos afetados pela pandemia de coronavírus e também os que sofreram as maiores interdições, e devem ser os últimos a voltar a normalidade. Essas atividades empregavam em 2018 mais de cinco milhões de trabalhadores diretos, de acordo com o IBGE. Além disso, o setores de eventos e de turismo, que costumam andar de mãos dadas, representam em conjunto a segunda maior economia do estado do Rio de Janeiro, movimentando cerca de 300 bilhões de reais por ano, atrás apenas da indústria de oleo e gas. Os efeitos da pandemia são igualmente grandiosos.

 

Pelas contas da Associação Apresenta Rio, que reúne promotores de eventos do Rio de Janeiro, a paralisia das atividades já custou cerca de um milhão e 300 mil empregos em todo o país, e pelo menos 300 mil apenas no estado. De acordo com o diretor-presidente da associação, Pedro Guimarães, os prejuízos já somaram R$80 bilhões, do início da pandemia até maio, e podem chegar a R$270 bilhões até o fim do ano. Para mitigar o problema, o setor reivindica a aprovação de uma lei na capital fluminense e a adoção de medidas semelhantes em outros lugares.

 

Guimarães também ressalta a importância de outras medidas de auxílio financeiro direto, como o oferecimento de linhas de crédito especial e a manutenção dos programas de incentivo. Um grupo que conhece bem a importância do financiamento público da cultura é a Companhia de Teatro Ensaio Aberto, que há 10 ocupa um galpão na região portuária carioca, cedido pela Prefeitura, e que só conseguiu honrar o salário dos cerca de 50 integrantes porque é financiada por emendas parlamentares. Os artistas e técnicos mantêm uma rotina intensa de estudos, orientados remotamente, enquanto aguardam para dar seguimento aos projetos, que incluem a criação de um núcleo de peças infanto-juvenil. Mas a diretora de produção da companhia Tuca Moraes se preocupa com a cena teatral brasileira.

 

O baterista e publicitário Bruno Castro também se diz um privilegiado porque mesmo sem poder se apresentar, conseguiu continuar trabalhando com cultura, produzindo conteúdo para as redes sociais de um festival. Mas a pandemia acabou adiando o objetivo perseguido há mais de 20 anos: viver exclusivamente da música. Ele aproveita a pausa nos shows para estudar e se aperfeiçoar e há alguns dias, lançou um trabalho autoral junto com a banda Pessoal da Nasa, a música Já Era Bom, disponível nas plataformas digitais. Outras canções estão sendo finalizadas e ele classifica esse processo criativo como um bem psicológico e espiritual para a própria banda e também ressalta a importância do esforço de todos os artistas para o público.

 

Mas quem depende do faturamento dos eventos se encontra em uma situação mais delicada, que não poupou nem as festas mais tradicionais da cidade. O samba do trabalhador que é realizado todas as segundas-feiras, há 15 anos, atraindo em média mil pessoas, nunca passou tanto tempo sem levar alegria ao clube Renascença, na Zona Norte da cidade. Para amenizar a angústia dos cerca de 50 profissionais envolvidos no evento, uma vaquinha online está sendo realizada, e a quantia será distribuída de acordo com a necessidade de cada um. Mas o que o sambista Moacyr Luz, criador do evento quer mesmo é uma vacina contra o coronavírus, que permita que o samba possa sair da quarentena. Totalmente isolado desde o início da pandemia, ela faz lives semanais pelas redes sociais, para não perder o contato com o público, mas sente muita falta das palmas.

 

Mesmo sem a vacina, o diretor-presidente da Apresenta Rio, Pedro Guimarães, acredita que já é ppossível adotar um protocolo de retomada das atividades de forma gradual, com restrições mais flexíveis, adaptadas a cada tipo. Ao menos na capital, essa retomada já tem data prevista pra acontecer. O plano de reabertura econômica da prefeitura, prevê o retorno das atividades culturais em espaços abertos, a até um terço de sua capacidade de público, já a partir de 1º de julho. Se o plano for seguido, os espaços fechados voltam a funcionar com a mesma restrição no dia 17 do próximo mês. Mas o retorno irrestrito das atividades só deve ocorrer na segunda metade de agosto. 

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